Imagens impactantes sobre o plástico nos mares

Quase metade de todo lixo produzido pelo homem termina no mar.

“Dê uma olhada ao seu redor. Quase tudo que nós comemos, bebemos ou usamos está, de alguma forma, embalado em plástico – um material fabricado para durar para sempre e que, ainda assim, é utilizado em produtos que nós jogamos fora logo após o uso”.

A afirmação acima é dos organizadores do projeto 5Gyres – uma excursão que teve início no dia 8 de janeiro e irá percorrer os oceanos do mundo tentando compreender os problemas causados pelo plástico através da exploração, educação e ação.

Idealizada pelo casal de pesquisadores Marcus Eriksen e Anna Cummins, a viagem fará o primeiro estudo sobre poluição marinha por plásticos em todos os cinco pontos críticos do planeta e conta com o apoio de organizações e pesquisadores renomados, como o capitão Charles Moore, fundador da Fundação de Pesquisa Marinha Algalita (AMRF).

Mais grave do que podemos ver

O problema, segundo os organizadores do projeto, é que “o plástico foi criado para durar para sempre, mas desenhado para ser jogado fora”. O estímulo constante ao consumo fortalece o ciclo de exploração, fabricação, uso e descarte de tudo que o dinheiro pode comprar – consequência de uma cultura do “jogar fora” e que não avalia os problemas que tudo isso pode causar.

Os cientistas Marcus Eriksen e Anna Cummins percorrem os oceanos para estudar os impactos do plástico

“Há uma geração, nós embalávamos nossos produtos em recipentes recicláveis e reutilizáveis, como vidro, metal e papel, e desenhávamos os produtos para que eles durassem”, afirmam. “Hoje mudou, nossos aterros e as praias são inundados em embalagens plásticas e produtos descartáveis que não têm valor no final do seu ciclo de vida curto”, concluem.

Para agravar essa “conduta conveniente de usar e jogar fora”, a humanidade recicla apenas 5% de todo o plástico que produz. Os 95% que sobram se dividem entre o aterro (cerca de 50%) e um destino inexato, perdidos em diversos caminhos que levam sempre para o mar.

“Grande parte do plástico que geramos na terra seguem até os nossos oceanos através de bueiros e bacias hidrográficas. Ele cai de caminhões, caixotes e contêiner de lixo, ou são jogados descuidadamente pelas pessoas”, explicam.

Graças à dinâmica das correntes marítimas, todo esse plástico acaba “girando” em redemoinhos no meio do mar e se acumulam em locais específicos. O Giro do Pacifico Norte, uma das regiões mais pesquisadas por estudiosos de todo o mundo, é uma área duas vezes maior que os Estados Unidos formada por uma “sopa de plástico” que flutua livremente no mar.

Mas o Pacífico Norte não é o único a ser atingido pelo plástico descartado em terra firme. “Há cinco grandes giros oceânicos em todo o mundo, com vários giros menores no Alasca e na Antártida. Os pesquisadores ainda não têm dimensão de quanto lixo plástico existe nos oceanos do mundo”, dizem os organizadores do projeto.

Um dos cinco giros possui o tamanho duas vezes maior que os Estados Unidos

Perigo em alto mar

Quando chega ao mar, todo esse lixo se transforma em um perigo para as espécies marinhas. “No oceano, estes plásticos flutuam na superfície e a luz solar e a ação das ondas acabam fragmentando-os em partículas cada vez menores, mas que nunca desapareceram completamente”, explicam os membros do projeto.

Eles contam ainda que essas partículas agem como ímãs para algumas substâncias tóxicas, como os PCB (policlorobifenilos), DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) e POPs (poluentes orgânicos persistentes).

lixo urbano

“Estes produtos químicos hidrofóbicos não se misturam com a água, mas são absorvidos pelo plástico. Alguns investigadores já documentaram que um pedacinho de plástico pode conter uma concentração desses poluentes orgânicos até um milhão de vezes maior que a encontrada na água do mar ao redor dele”, afirmam.

E o que acontece com todo esse plástico carregado de substâncias tóxicas? Pode ser ingerido por peixes, tartarugas e outras espécies marinhas que os confunde com alimento. Dentro do organismo esse plástico pode causar bloqueios internos, desidratação, inanição e morte. Com isso, muitos especialistas estão preocupados com as consequências que essas substâncias podem causar ao longo da cadeia alimentar, chegando, inclusive, ao ser humano.

Enquanto os efeitos potenciais à saúde humana permanecem desconhecidos, cientistas já estimam que perto da metade de todas as espécies de pássaros marinhos, todas as espécies de tartarugas marinhas e 22 espécies de mamíferos marinhos ferem-se ou morrem por causa do lixo plástico, seja pela ingestão, enredamento ou estrangulamento, antes que os detritos sejam quebrados em fragmentos minúsculos.

Problema sem solução

“Não podemos reciclar nem limpar essa sujeira que já está lá fora,” diz Eriksen. “Não estamos olhando para uma grande acumulação de pedaços visíveis de plásticos, mas para uma sopa difusa de micro-partículas”, lembra o cientista.

O plástico fragmentado entra na cadeia alimentar e os cientistas estão estudando se ele pode impactar a saúde dos homens

A única alternativa seria, portanto, parar o problema na sua fonte. Para isso, os navegadores defendem legislações que obriguem as empresas a tomarem para si a responsabilidade de recuperar e reutilizar os seus produtos, incluindo incentivos econômicos para promover a recuperação e a extinção dos produtos descartáveis. “Essas legislações poderão ainda criar oportunidades para o surgimento de produtos inteligentes e inovadores”, acreditam.

Já os consumidores deverão fazer a sua parte e reforçar o consumo consciente. Reduzir o uso e a compra de produtos de plástico, encaminhá-los para reciclagem e exigir alternativas menos agressivas e economicamente viáveis dos fabricantes são algumas ações que podem ser tomadas ainda hoje.

Os organizadores do projeto ainda lançaram um desafio: “Entre em qualquer supermercado ou loja de departamentos e tente encher um carrinho de supermercado com produtos específicos que não são feitos, embalados ou rotulados com plástico”.

Caso consiga, saiba que você estará contribuindo com a proteção dos mares, dos animais marinhos e, pelo jeito, de nós mesmos.

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