Consumidor é fundamental para a Amazônia

Autor: Paula Scheidt   –   Fonte: CarbonoBrasil

Ao decidir por um produto que comprovadamente não contribua para a destruição ambiental, habitantes de grandes centros urbanos, como São Paulo, interferem diretamente na outra ponta da cadeia produtiva e contribuem para a preservação

A cidade de São Paulo, maior mercado consumidor do Brasil, e a Amazônia, território com baixa densidade populacional porém rica em biodiversidade, são dois elos de uma cadeia produtiva que dependem do consumidor para alcançar a sustentabilidade, defenderam nesta terça-feira especialistas durante a Conferência Internacional Ethos 2009, realizada em São Paulo.

Dados do Imazon mostram que 95% da carne bovina e 64% da madeira produzida no país têm como destino certo o mercado interno. Por esta razão, “uma decisão tomada aqui, em termos de mercado e escolhas do consumidor, surte efeito sobre a destruição ou conservação da Amazônia”, afirma o presidente do Conselho de Administração da Sadia e da Fundação Amazonas Sustentável, Luiz Fernando Furlan.

A secretaria institucional do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo, concorda, defendendo que a contribuição dos habitantes das regiões Sul e Sudeste para a conservação da Amazônia será a partir da conscentização dos individuos.  “Acho que as massas de consumidores irão demandar isso e, mais, o movimento já começou e tendencialmente é irreversível”, disse.

O sócio-fundador do Instituto Socioambiental,  Marcio Santilli, ressalta que a responsabilidade pelos problemas ambientais normalmente recai sobre os produtores, contudo, toda a cadeia tem ‘culpa no cartório’.

Um exemplo da ação em cadeia foi apontada pelo relatório “Farra do Boi na Amazônia”, divulgado no início de junho pelo Greenpeace. Segundo o documento, grandes marcas como Nike, Adidas, BMW, Gucci, Timberland, Honda, Wal Mart e Carrefour impulsionam, involuntariamente, o desmatamento da Amazônia, adquirindo produtos envolvidos no desmatamento ilegal.

O relatório já desencadeou reações, como a decisão das três maiores redes de supermercados do País, Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar, de suspender as compras das fazendas envolvidas no desmatamento da região. Segundo Samyra, no próximo dia 23 a Wal-Mart irá divulgar um plano de metas que pretende envolver toda a cadeia produtiva.

Exemplo

Santilli destaca também que é preciso agir e não ficar esperando que o governo lidere o movimento de mudanças. “Somos uma sociedade corporativa e nosso governo é corporativo, por isso temos que mudar no chão, passar do ‘saber’ para o ‘agir’”, afirma.

Com o projeto Ikatu Xingu, o Instituto Socioambiental conseguiu promover a recuperação de 500 hectares de mata ciliar na nascente do Rio Xingu no Mato Grosso sensibilizando a comunidade dos municípios que mais sentiam os efeitos do desmatamento na qualidade da água. “Quando a gente consegue convencer as pessoas a colocar a mão na terra, elas gostam disso e cuidam, pois a cultura do agricultor começa a se manifestar no ‘mato que ele plantou’ e que antes não tinha com a mata nativa”, explica Santilli.

Por esta razão, Santilli incentiva que seja qual for desafio a ser enfrentado, é preciso que a ação parta da sociedade.

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