Empresas precisam reforçar metas de redução de CO2

Apesar de 73% das 100 maiores empresas do mundo possuir algum tipo de plano para suas emissões, estudo do Carbon Disclosure Project mostra que os objetivos são tímidos demais para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas Com base nas atuais metas de redução, as maiores empresas do mundo estão no caminho para atingir os níveis recomendados de emissão de gases do efeito estufa somente em 2089, 39 anos depois do que seria esperado para se evitar as piores conseqüências das mudanças climáticas. Isto é o que apresenta a pesquisa “The Carbon Chasm”, divulgada nesta segunda-feira (24) pelo Carbon Disclosure Project (CDP). Ela mostra que 100 das maiores empresas globais estão atualmente programando cortes de 1,9% por ano, inferior aos 3,9% necessários para que as economias desenvolvidas consigam atingir a meta de reduzir em 80% as emissões até 2050. De acordo com o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), esses 80% seria o mínimo para se evitar as piores conseqüências das mudanças climáticas. “A maioria das metas precisa ser bem mais agressiva se realmente pretendem alcançar o que é recomendado. Este é um momento de grande oportunidade para as empresas ganharem vantagens competitivas ao reduzir seu próprio impacto no clima, se beneficiarem poupando recursos e ainda se destacarem na nova economia de baixo carbono”, afirmou o presidente do CDP, Paul Dickinson. Grande parte das empresas, o equivalente a 84%, possui como meta o ano de 2012, o que coincide com o último ano em que o Protocolo de Quioto vigora. Isto indica que as companhias estão aguardando a Conferência do Clima de Copenhague em dezembro para estabelecer metas de maior a longo prazo. Motivações e Padrão A pesquisa demonstrou que a principal motivação das empresas para a redução de emissões é de fato as forças do mercado. As metas são utilizadas para identificar ineficiências nas operações, poupar custos, estimular a inovação, minimizar os riscos das mudanças climáticas, se diferenciar de competidores e satisfazer as demandas dos acionistas. Algumas empresas entrevistadas citaram ainda outros fatores, como o impacto positivo no meio ambiente e a motivação dos seus funcionários. O CDP destacou que as metas de redução não são comparáveis entre si e que é difícil julgar o impacto delas. A falta de um padrão internacional fez com que as empresas seguissem seu próprio caminho, com cada uma priorizando o que considera mais interessante. As empresas entrevistadas pela pesquisa argumentam que o formato de uma única meta de redução para todos os setores não daria certo, pois a diferença entre cada setor levaria a desigualdades nas medições e reduziria a transparência das ações. O relatório faz algumas recomendações para facilitar e incentivar as reduções das empresas ao redor do mundo: cada companhia deve possuir uma meta de redução de CO2, as metas devem ser claras e com objetivos pré-programados, os governos devem concordar em também possuir metas de médio e longo prazo e, finalmente, as metas das empresas devem refletir as recomendações do IPCC. “Nossa pesquisa mostra que existe uma margem significativa entre o que é necessário e o que está realmente sendo feito pelas empresas. Nós do mundo dos negócios devemos encontrar uma maneira de lidar com a questão do carbono”, conclui Chris Tuppen, chefe de sustentabilidade da gigante das comunicações BT, que patrocinou o relatório. Brasil De acordo com uma notícia divulgada nesta segunda-feira (24) pela Agência Brasil, um grupo de grandes empresas brasileiras vai assumir cortes na emissão de gases de efeito estufa. A idéia seria reduzir a contribuição do setor industrial no balanço de emissões de CO2 do país e aproveitar oportunidades no mercado voluntário de carbono. Vale, Brasken, Camargo Correa, Suzano, Andrade Gutierrez, Natura e outras companhias apresentarão o compromisso em uma carta, que será entregue nesta terça-feira (25) aos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. No documento, as empresas vão se comprometer a publicar anualmente balanços de emissões de gases de efeito estufa e a incorporar a “variável do carbono” na análise de projetos e investimentos futuros.

Autor: Fabiano Ávila – Fonte: CarbonoBrasil

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