De olho nas embalagens

Campanha do Ministério do Meio Ambiente, posto de coleta seletiva em São Paulo, nova lei na China e inovações da BASF e da Biomater demonstram que a preocupação com o consumo de embalagens é cada vez maior

Por Thays Prado
Planeta Sustentável – 14/03/200

Sacolinhas plásticas – e os invólucros de uma maneira geral – são o assunto da vez. Nesta semana, o Ministério do Meio Ambiente lançou a campanha Consumo Consciente de Embalagem – A escolha é sua, o planeta é nosso, com o objetivo de educar a população, dentro do princípio dos 3 Rs – Reduza, Reuse, Recicle -, a utilizar menos embalagens, reaproveitar as sacolas plásticas, optar pelas que não causem tantos danos ambientais e reciclá-las.

Sacolinhas plásticas – e os invólucros de uma maneira geral – são o assunto da vez. Nesta semana, o Ministério do Meio Ambiente lançou a campanha Consumo Consciente de Embalagem – A escolha é sua, o planeta é nosso, com o objetivo de educar a população, dentro do princípio dos 3 Rs – Reduza, Reuse, Recicle -, a utilizar menos embalagens, reaproveitar as sacolas plásticas, optar pelas que não causem tantos danos ambientais e reciclá-las.

A ministra do meio ambiente, Marina Silva, no lançamento da campanha, na última terça-feira, também chamou a atenção para a redução da produção de resíduos e para o incentivo ao ecodesign, de forma que as embalagens tenham seu impacto ambiental minimizado através:

– da menor utilização de recursos não-renováveis em sua fabricação;
– da redução dos gastos energéticos durante a fabricação;
– do aumento da durabilidade dos produtos a fim de produzirem menos lixo.

O hotsite do Ministério do Meio Ambiente sobre Consumo Consciente de Embalagem traz uma série de dicas que orientam o consumidor a agir com responsabilidade nesse sentido. Segundo dados divulgados ali, um terço do lixo doméstico é composto por embalagens, sendo que 80% delas são descartadas depois de usadas uma única vez. Por causa disso, elas representam um quinto de todo o lixo brasileiro, somando 25 toneladas diárias nos lixões.

COLETA SELETIVA
Em São Paulo, a preocupação com o destino das embalagens é um dos motivos da inauguração do primeiro Ponto de Entrega Voluntária Monitorado (PEVM) da cidade, pela Prefeitura, em parceria com a Plastivida – Instituto Sócio-ambiental dos Plásticos. O projeto nada mais é do que a conhecida coleta seletiva, só que em vias públicas. Além de separar metal, papel, plástico e vidro, o equipamento também recolhe óleo de cozinha usado, para reciclagem. Todos os dias, das 8 h às 17h, monitores orientam os transeuntes sobre a utilização do posto. A idéia que começou na Lapa deve ter outros exemplares espalhados pela capital daqui pra frente.

O coletor, com capacidade de armazenamento de até 20 toneladas de lixo por mês, possui dispositivo de segurança para impedir que os materiais depositados sejam retirados de lá em atos de vandalismo. Um caminhão da Prefeitura vai recolher o lixo três vezes por semana e levá-lo a uma cooperativa – responsável por fazer triagem, prensagem e armazenamento. Em seguida, as empresas recicladoras farão o processamento do material.

A novidade é que as sacolas plásticas terão um compartimento próprio, o que vai facilitar o trabalho de separação e triagem do lixo. Idealmente, os catadores devem ser absorvidos pelas cooperativas.

Na inauguração do equipamento, o presidente da Plastivida, Francisco de Assis Esmeraldo, comentou: “Um quilo de plástico produz a mesma energia que um litro de gasolina. A diferença é que usamos a gasolina até a última gota, o plástico a gente joga no lixo”. Segundo ele, a coleta seletiva pode melhorar o problema. “O Brasil tem capacidade para reciclar uma quantidade de plástico 40% maior do que recicla hoje”.

PROIBIÇÃO
Para se ter uma idéia do consumo de embalagens, no Brasil, a cada minuto, 35 mil sacolinhas saem das lojas e supermercados para a casa dos consumidores. Na China, essa situação é bem mais grave: 3 bilhões de sacolas descartáveis são distribuídas por dia! Tanto que o Conselho de Estado vai proibir a produção de bolsas de plástico com espessura inferior a 0,025 mm a partir do dia 1º de junho deste ano. As lojas também não poderão mais fornecer sacolas plásticas gratuitamente a seus clientes.

Quem descumprir a ordem será multado, mas o valor ainda não foi definido. A medida deve diminuir em dois terços os resíduos de plástico do país, que hoje representam 3 milhões de toneladas por ano.

BIOPLÁSTICO
Uma tecnologia que já existe no Brasil – e tem sido apontada constantemente como uma boa solução para redução do lixo proveniente de embalagens – é o plástico biodegradável e compostável. Feito à base de biomassa – principalmente milho e mandioca, mas também cana de açúcar e batata -, sua decomposição em condições ambientais favoráveis é feita por microorganismos e leva cerca de 180 dias (muito menos do que os mais de 400 anos do plástico convencional!). Como resultado, são liberados apenas CO2 e água, automaticamente consumidos no crescimento das plantas locais. (veja infográfico desenvolvido pela Biomater sobre ciclo de vida do bioplástico)

Sacolas feitas com o bioplástico servem muito bem para embalar resíduos orgânicos, já que ele pode ser compostado (transformado em adubo) juntamente com o lixo. A solução diminui a dependência do petróleo e não polui o meio ambiente. Da mesma forma que as sacolas de plástico convencional, é importante que as de bioplástico sejam reutilizadas o máximo possível antes de serem, respectivamente, recicladas e compostadas.

A Biomater Eco-Materiais, empresa incubada no CEDIN-FIESP, em São Carlos, tem pesquisado o desenvolvimento de bioplásticos e possui uma linha de produtos biodegradáveis e compostáveis com sacos, sacolas, filmes, potes, laminados, espumas e tubetes.

A filial brasileira da BASF também desenvolveu um plástico biodegradável – o Ecobrás – à base de milho, em parceria com a Corn Products International. Além de ser utilizado para a produção de sacolas, o plástico tem sido bastante aplicado na fabricação de tubetes para reflorestamento – a árvore é plantada no solo sem a necessidade de se retirar o plástico, já que ele se degrada pouco tempo depois. O produto foi apresentado na feira Marketplace of Innovations, em São Paulo, na semana passada.

GARRAFAS PET
No mesmo evento, a BASF apresentou as tintas Suvinil feitas a partir de garrafas PET. Por ano, 60 milhões de garrafas são retiradas do meio ambiente e utilizadas para a fabricação das tintas. A tecnologia existe há cinco anos no Brasil.

Atualmente, o país é o segundo maior reciclador de PET do mundo – fica atrás do Japão. De 1994 para cá, a reciclagem dessas embalagens cresceu 1392%, enquanto a produção de novos PETs obteve um aumento de 367%*.

A resina PET não se decompõe, o que significa que não há perda de qualidade nos produtos reciclados. Em relação à utilização de resina virgem, a utilização do PET reciclado significa:

– economia de 97% de energia e 86% de água;
– redução de 53% nos resíduos industriais;
– diminuição de 98% nas emissões de gás carbônico e
– eliminação de 96% nas emissões de óxido de nitrogênio e de 92% nas de monóxido de carbono*

* dados fornecidos pela WNP

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